Bahia lidera no Nordeste com maior número de pais ausentes nos últimos 5 anos

O Dia dos Pais, celebrado no segundo domingo de agosto, contrasta com a realidade de muitas crianças que sofrem abandono paterno. A Bahia, com mais de 14 milhões de habitantes, lidera no Nordeste o número de pais ausentes: entre 2020 e 2025, dos 863.372 nascimentos, 58.424 não têm o nome do pai no registro (dados da Arpen-Brasil).
O presidente da Anoreg/BA, Daniel Sampaio, classifica o problema como social e atribui-o à falta de informação, preconceito sobre investigação de paternidade e ausência de políticas públicas de corresponsabilidade parental. Ele lembra que cartórios oferecem o reconhecimento de paternidade gratuitamente, mas barreiras culturais e desigualdades regionais dificultam o acesso.
A psicóloga Nathália Pastori destaca que o abandono paterno pode gerar agressividade, insegurança, baixa autoestima, dificuldades escolares e de socialização, com impactos que podem se prolongar na vida adulta.
Já Ana Clara Dória, da Holiste Psiquiatria, lembra que a função paterna é simbólica e nem sempre exercida pelo pai biológico. Ter o nome na certidão não garante presença afetiva; pais emocionalmente ausentes também afetam o desenvolvimento infantil. Ela reforça que escuta qualificada e apoio social e familiar são fundamentais para que a criança consiga elaborar a ausência e se desenvolver de forma saudável.



