Política

O Pedrão DE Eunápolis 2025 será uma nova fase da Operação Fraternos da Polícia Federal?

O Prefeito de Eunápolis prometeu ao povo uma nova gestão, porém os seus hábitos são antigos. Orbitam em derredor das empresas que atendem os serviços de estruturação da festa, contratação de bandas e venda particular de camarotes, as mesmas pessoas que foram acusadas de participação da Organização Criminosa – ORCRIM, denominada pela Polícia Federal como” FRATERNOS”, que possui como núcleo político o Prefeito JOSÉ ROBÉRIO BATISTA DE OLIVEIRA e seus familiares.

A Operação Fraternos foi iniciada em novembro de 2017, para investigar crimes cometidos entre 2008 e 2017, nas prefeituras de Porto Seguro, Eunápolis e Santa Cruz CabráliaNa época, as investigações da Polícia Federal apontaram que, quando ainda prefeitos, em 2009, Claudia Oliveira, José Robério Oliveira e Agnelo Santos – todos parentes – usavam empresas familiares para simular licitações e desviar dinheiro de contratos públicos. A operação foi batizada de Fraternos por causa do uso de familiares para cometer a irregularidades. Os investigados respondem na 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de Salvador por organização criminosa, fraude a licitações, corrupção ativa e passiva, ocultação de bens e lavagem de dinheiro.

Quando a Operação Fraternos foi iniciada, a PF informou que os contratos fraudados somavam R$ 200 milhões. O esquema funcionava da seguinte forma: as prefeituras abriam licitações e empresas ligadas à própria família dos prefeitos simulavam uma competição entre si. Segundo a PF, foi identificada uma “ciranda da propina”, com as empresas dos parentes se revezando na vitória das licitações, como uma forma de camuflar o esquema criminoso. Após a contratação da empresa vencedora, parte do dinheiro repassado pela prefeitura era desviado usando “contas de passagem” em nome de terceiros, para dificultar a identificação dos destinatários. Em regra, o dinheiro retornava para membros da organização criminosa.

O Processo acabou sendo dividido, ficando na Vara Criminal Federal de Eunápolis o Processo n. 1001457-82.2019.4.01.3310, que tem como réus os Gestores CLAUDIA SILVA SANTOS OLIVEIRAJOSE ROBERIO BATISTA DE OLIVEIRA e HUMBERTO ADOLFO GATTAS NASCIF FONSECA NASCIMENTO, estando com audiência de instrução para oitiva de testemunhas marcada para o dia 17/07/2025, às14h20min, em Eunápolis – Bahia.

Por sua vez, o Processo desmembrado n. 1066652-05.2023.4.01.3300, em trâmite na 2ª Vara Criminal da Justiça Federal de Salvador, tem como Réus JONATA LIMA SANTOS GUERREIROJARIO ALMEIDA OLIVEIRAROBERTO BRAGA DOS REISAPARECIDO DOS SANTOS VIANADOMINGOS DOS SANTOS VIANARAIMUNDO OTAVIO SACRAMENTO SANTOS e EDIMILSON ALVES DE MATOS, estando com audiência de instrução para oitiva de testemunhas designada para o dia 02/09/2025, às 09h15min, em Salvador – Bahia.

Tanto os Gestores como os demais envolvidos respondem por Crimes Praticados por Funcionários Públicos Contra a Administração em GeralLavagem ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores Oriundos de CorrupçãoCrimes de ResponsabilidadeCrimes Praticados por Particular Contra a Administração em Geral, e Lavagem ou Ocultação de Bens, Direitos ou Valores Oriundos de Corrupção.

Agora o Pedrão de Eunápolis está sendo coordenado por um dos Réus, EDIMILSON ALVES DE MATOS, agindo com empresas interpostas, e pelo seu funcionário CASSIO ANDRADE, que está a frente do Camarote Pedrão Premium com a empresa CASSIO SHOW.

EDIMILSON MATOS, conhecido no meio empresarial como EDYSHOW, foi preso em Vitória da Conquista, no sudoeste do estadoe recolhido na Penitenciária daquela cidade, na mesma época que ROBÉRIO e CLAUDIA foram presos e recolhidos na Penitenciária de Teixeira de Freitas e Eunápolis, respectivamente, todos envolvidos nos desvios de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro, por ordem do Juiz Criminal da Vara Federal de Eunápolis, conforme apurado pela PF na operação “FRATERNOS”.

EDYSHOW ainda responde por não pagamento de direitos autorais a compositores e interpretes musicais em ação judicial movida pelo Ecad – Escritório Central de Arrecadação e Distribuiçãoestando o processo n. 0407934-72.2013.8.05.0001em andamento.

Intriga ainda que as contratações de empresas e bandas ainda não foram publicadas no diário oficial do Município de Eunápolis, com transparência de valores e forma de licitação, como já denunciou um cidadão que compareceu à Promotoria de Justiça de Eunápolis, no dia 09 de junho pretérito, para solicitar formalmente informações sobre os gastos da Prefeitura com o São João nos Bairros e o tradicional Pedrão.

No documento, foram questionadas informações como: qual empresa foi contratada para a montagem da estrutura das festas; os valores envolvidos; os custos com artistas nacionais, regionais e locais; e a origem dos recursos, especialmente após o município afirmar que haveria patrocínio para parte desses cachês. Também foi solicitada transparência sobre o processo licitatório para os camarotes particulares geridos pela empresa CASSIO SHOW, pelo sócio de fato EDYSHOW e sobre eventual cobrança de ingressos.

Assim, enquanto o MP concede selos de transparência a centenas de cidades, em Eunápolis ainda é preciso recorrer ao próprio Ministério Público para obter informações básicas sobre o uso de recursos públicos. A situação reforça a urgência de fiscalização para prevenir prejuízos ao erário e garantir que a transparência seja efetiva — e não apenas simbólica. A população espera uma ação fiscalizatória enérgica também da Câmara de Vereadores do Município. É esperar para ver.

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