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Policiais baianos com milhões de seguidores são investigados por rifas ilegais nas redes sociais

Dois policiais militares da Bahia, conhecidos nas redes sociais como Soldado Corrêa e Soldado Matos, estão no centro de uma investigação por promoverem rifas ilegais com prêmios que vão de carros de luxo a grandes quantias em dinheiro. Combinando uma rotina de influenciadores digitais e agentes da segurança pública, os PMs utilizam suas redes, que somam mais de 1,7 milhão de seguidores, para divulgar sites de sorteios que não têm autorização oficial do Ministério da Fazenda.

Segundo a legislação brasileira, sorteios e rifas com fins lucrativos são proibidos, a menos que tenham autorização federal e sejam promovidos por instituições filantrópicas. Apesar disso, os policiais mantêm páginas com aparência profissional e promessas de prêmios atrativos, mas sem qualquer transparência quanto a entidades beneficiadas, origem dos recursos ou regularização fiscal. Em alguns casos, os prêmios são entregues diretamente pelos próprios PMs, como pessoas físicas.

A atuação dos policiais chamou a atenção das autoridades durante a Operação Falsas Promessas, deflagrada pela Polícia Civil em abril deste ano. A ação identificou uma rede de rifas ilegais operada por policiais militares na capital e em cidades do interior da Bahia. Nove PMs já foram presos, e as investigações apontam para a existência de empresas de fachada e laranjas utilizadas para lavar os recursos obtidos com os sorteios.

Além de suas contas principais no Instagram, os soldados também mantêm perfis alternativos nos quais exibem cenas da rotina policial, vídeos de prêmios sendo entregues e depoimentos de supostos ganhadores. Enquanto Corrêa é ligado ao site “Ação de Ouro”, registrado em seu nome, Matos divulga rifas no “Ação do Guerreiro”, registrado no nome de sua esposa. Ambos seguem na ativa, com salários de R$ 5,3 mil, conforme o Portal da Transparência.

Em resposta às acusações, Corrêa negou realizar rifas, alegando que promove apenas “sorteios” vinculados a “títulos de capitalização”. O policial ainda criticou a legislação, afirmando que não busca regularizar suas ações por discordar de “entregar lucros ao governo”. A Polícia Militar da Bahia informou que abriu um processo administrativo para apurar possíveis violações disciplinares e de conduta ética por parte dos envolvidos.

Com informações e foto do Bahia Notícias

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