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Protesto na BA-658 escancara descaso com infraestrutura no Extremo Sul da Bahia

Na manhã desta quarta-feira (4), moradores do distrito de Santa Maria Eterna, em Belmonte, uniram-se a caminhoneiros em um protesto que paralisou um trecho da BA-658. O bloqueio é mais do que um ato de insatisfação — é um grito por dignidade diante do abandono do poder público.

A BA-658 passou a ser usada como rota alternativa após a interdição da ponte sobre o Rio Jequitinhonha, na BR-101, há mais de um mês. Desde então, o que era uma rodovia secundária e precária transformou-se em eixo essencial de mobilidade para todo o extremo sul baiano — mas sem qualquer preparo ou adequação para isso.

Dos 70 quilômetros da rota alternativa, apenas 25 são asfaltados. O restante é de chão batido, tomado por lama e buracos, agravados pelas chuvas constantes que castigam a região. Caminhões atolam, ambulâncias atrasam, moradores ficam isolados. E o governo assiste à crise como se fosse um fenômeno natural — e não resultado direto da falta de planejamento e manutenção de sua rede viária.

Em um estado que frequentemente destaca investimentos em infraestrutura, a situação da BA-658 revela um contraste doloroso entre discurso e prática. A ausência de ação rápida para garantir condições mínimas de tráfego numa via emergencial compromete o abastecimento, o transporte escolar, os atendimentos de saúde e a própria segurança de quem transita pelo local.

A manifestação desta quarta-feira é, portanto, legítima e necessária. Os moradores e caminhoneiros não pedem luxos, apenas o básico: uma estrada transitável, segura, com condições mínimas para suportar o tráfego que lhe foi imposto. Esperar mais tempo para agir é continuar condenando a região ao improviso e ao risco.

Enquanto o governo não responde com ações concretas, quem vive no extremo sul segue atolado — literalmente — em promessas vazias.

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