Eunápolis: críticas à gestão municipal expõem abandono e descaso com a população

A gestão do prefeito Robério Oliveira (PSD) voltou a ser alvo de críticas por parte da população e de lideranças locais. Denúncias apontam que, enquanto estradas vicinais recebem manutenção apenas em áreas ligadas a aliados políticos, comunidades rurais e bairros periféricos seguem em total abandono.
Segundo moradores, a zona rural de Eunápolis, que reúne mais de 5 mil habitantes e tem forte produção agrícola, enfrenta graves problemas: falta de um posto de saúde estruturado, ausência de profissionais qualificados, carência de água tratada e estradas em péssimas condições.
Entre as localidades mais afetadas estão Ponto Maneca, Projeto Maravilha, Santa Maria, Itú, Jequitibás, Cavaco Seco, Maravilha 2, Baixa Verde e Embaré. A população afirma que os políticos eleitos só lembram das comunidades em época de eleição.
Hospital Regional em crise
Outro ponto de forte crítica é o Hospital Regional de Eunápolis, que há anos sofre com a falta de equipamentos e manutenção. A unidade, que deveria ser referência para a Costa do Descobrimento, continua sem tomógrafo, aparelho de ressonância e assistência técnica especializada.
Apesar disso, profissionais de saúde têm sido reconhecidos pela dedicação, mesmo diante das dificuldades impostas pela falta de estrutura.
Acusações de apadrinhamento político
As críticas também atingem a Câmara Municipal. De acordo com opositores, muitos vereadores não exercem seu papel fiscalizador porque possuem familiares e aliados na folha de pagamento da prefeitura.
As acusações reforçam a percepção de que Eunápolis vive um cenário de abandono administrativo, apesar da prefeitura arrecadar mais de R$ 50 milhões por mês e contar com apoio de lideranças políticas como a deputada estadual Claudia Oliveria, esposa do prefeito, o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Otto Alencar e até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O suplente de vereador Givaldo Alves (PSD), que apoiou Robério nas eleições, reconheceu publicamente sua frustração:
“Levei o nome do atual prefeito às comunidades e pedi votos acreditando nas promessas. Hoje me sinto envergonhado, porque o povo foi abandonado e sequer houve agradecimento. Já se passaram oito meses, quase R$ 500 milhões nos cofres da prefeitura, e o que se vê é apenas conversa fiada e desculpas jogadas nos governos passados”, declarou.
Segundo Givaldo, ainda há tempo para mudanças, mas se nada for feito, a população dará a resposta nas urnas nas próximas eleições.



