Homicídios de bebês e crianças crescem 15,6% em 2023 no Brasil, aponta Atlas da Violência

O Brasil registrou em 2023 um crescimento alarmante de 15,6% nos homicídios de bebês e crianças de 0 a 4 anos, segundo dados do Atlas da Violência 2025. A taxa chegou a 1,2 mortes por 100 mil habitantes, o maior patamar desde 2020. No período de 2013 a 2023, mais de 2 mil crianças dessa faixa etária foram assassinadas no país.
O levantamento mostra que, em 36,6% dos casos, não há registro do instrumento usado nos crimes. Entre os casos identificados, armas de fogo foram responsáveis por 20,3% das mortes e objetos contundentes, por 19,0%.
Para Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, o aumento da violência na Primeira Infância, fase que vai até os 6 anos de idade, é “chocante” e reflete a urgência de medidas preventivas. O estudo revela que 67,8% dos crimes ocorreram dentro de casa e 79,5% são classificados como violência doméstica, tendo como autores, na maioria das vezes, parentes ou pessoas próximas.
A especialista alerta que, mesmo quando não resultam em morte, agressões na infância deixam traumas profundos e irreversíveis. Ela também defende o fim da tolerância social a práticas violentas, como a palmada, ainda aceita em algumas regiões como método educativo.
A discussão ganha relevância no Agosto Verde, Mês da Primeira Infância, oficializado pela Lei 14.617/2023. A campanha busca sensibilizar a sociedade e reforçar a proteção integral prevista na Constituição.
No dia 6 de agosto, o governo federal lançou a Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI), coordenada pelo Ministério da Educação, com o objetivo de assegurar proteção, desenvolvimento integral e garantia de direitos às crianças de 0 a 6 anos, ação considerada estratégica no combate à violência infantil.



