Familiares abrem cova para enterro e culpam falta de coveiro em Eunápolis

Eunápolis: Em uma cena que choca pela brutalidade e escancara o descaso do poder público, familiares e amigos de Jose Fledson Gomes de Santana, vítima de um grave acidente na BR-101, foram obrigados a cavar a própria cova no Cemitério da Saudade, localizado no bairro Sapucaeira, nesta terça-feira (2). A justificativa? Não havia coveiro disponível.
A imagem de pessoas enlutadas, com enxadas e pás nas mãos, transformando a dor em esforço físico, é mais do que simbólica, é a materialização do colapso dos serviços públicos em Eunápolis. O episódio gerou revolta não apenas entre os presentes, mas em toda a população, que vem acompanhando, dia após dia, a degradação dos serviços essenciais sob a administração do prefeito Robério Oliveira.
A ausência de um coveiro, em pleno horário de funcionamento do cemitério municipal, representa mais do que uma falha pontual. Ela revela o desmonte da estrutura básica da cidade, onde a negligência com a população já não poupa nem os mortos. O episódio não é isolado, faz parte de uma sequência de denúncias que envolvem abandono de escolas, falhas na saúde pública, transporte precário e servidores públicos desassistidos.
A gestão municipal parece alheia ao sofrimento da população. Enquanto discursos oficiais tentam sustentar uma imagem de normalidade, a realidade grita em cada bairro, em cada fila de posto de saúde, em cada buraco nas ruas e, agora, até no cemitério.
O caso de Jose Fledson é mais do que uma tragédia pessoal, é um marco da indignidade a que foi reduzida a vida (e a morte) em Eunápolis. Diante disso, é urgente que se cobre responsabilidade, transparência e, principalmente, respeito. A cidade não pode mais conviver com a banalização do abandono.



