STF autoriza quebra de sigilo de deputados do PL em investigação sobre uso de verba pública

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro.
A medida foi tomada no âmbito de uma investigação conduzida pela Polícia Federal, que apura possível desvio de recursos da cota parlamentar, verba pública destinada a custear despesas do mandato. As apurações integram a Operação Galho Fraco.
Segundo a decisão, a quebra de sigilo é considerada imprescindível para rastrear o fluxo financeiro de parlamentares e assessores, bem como identificar eventuais irregularidades ocorridas entre maio de 2018 e dezembro de 2024.
Indícios investigados
As investigações apontam suspeitas de que recursos públicos teriam sido desviados por meio de empresas de fachada, incluindo locadoras de veículos, com posterior repasse irregular. Com base nesses indícios, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, alcançando os parlamentares e pessoas ligadas a eles.
Durante uma das diligências, agentes federais encontraram cerca de R$ 400 mil em dinheiro vivo em um endereço associado a Sóstenes Cavalcante. O deputado informou que o valor teria origem na venda de um imóvel.
Relatórios da Polícia Federal também indicam movimentações financeiras consideradas atípicas, que ultrapassariam R$ 28 milhões, em contas vinculadas a assessores e servidores próximos aos investigados, sem justificativa clara até o momento.
Posicionamento dos investigados
Nas redes sociais, Carlos Jordy afirmou que a operação seria uma forma de perseguição política. Já Sóstenes Cavalcante negou irregularidades e criticou a investigação.
A apuração busca esclarecer possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, sendo um desdobramento de investigações iniciadas em dezembro de 2024.
Com a autorização judicial, STF e Polícia Federal passam a analisar transferências financeiras, contratos e comunicações, que poderão esclarecer o alcance do suposto esquema.



