MPF investiga suposto esquema criminoso envolvendo PRFs e empresa de guincho em Simões Filho

PF promoveu quebra de sigilos telefônicos, bancários e fiscais.
Policiais Rodoviários Federais estão sob investigação da Polícia Federal (PF) por suspeitas de estarem envolvidos em um esquema criminoso que favorece a empresa Guto Localização de Veículos Ltda, contratada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). A companhia, popularmente conhecida como Guincho da PRF, está situada em São Paulo.
Operações irregulares de apreensão de veículos
Segundo documentos adquiridos pelo Bahia Notícias, os agentes organizavam operações ilegais para apreender caminhões nas rodovias da Bahia. O esquema foi descoberto após uma denúncia anônima, que resultou na abertura de um inquérito pela PF.
As investigações indicam que o objetivo do esquema era a apreensão de veículos para beneficiar a empresa contratada pela PRF. Os implicados podem ser acusados de crimes contra a Administração Pública, como corrupção ativa e passiva e associação criminosa.
Operação Road
Após a elaboração de um relatório pelo Ministério Público Federal, a Polícia Federal iniciou a Operação Road, nome que significa estrada em português. Essa ação teve como intuito aprofundar as investigações e resultou na execução de vários mandados em locais relacionados ao caso, incluindo as instalações da empresa investigada.
Movimentações financeiras suspeitas
As investigações revelaram movimentações financeiras desproporcionais ao padrão de vida de Vanessa Araújo Nascimento, sócia da empresa, que já recebeu benefícios de programas sociais do governo.
Levantamentos mostram que a empresa movimentou aproximadamente R$ 901 mil, com uma média de faturamento mensal em torno de R$ 342 mil. Além disso, foram detectadas aplicações financeiras e resgates totalizando mais de R$ 400 mil.
Outro indivíduo sob investigação é o ex-sócio Gutemberg da Silva Araújo, que tem antecedentes criminais por uso indevido de documentos falsos relacionados a veículos.
Envolvimento dos policiais rodoviários
Os policiais Alisson Silva Carqueija e André Luiz Borges da Costa, lotados na delegacia da PRF em Simões Filho, também são mencionados no inquérito. Ambos têm laços comerciais e familiares com a empresa alvo das investigações.
O Pregão Eletrônico nº 11/2018, que resultou na contratação da Guto Localização de Veículos Ltda, está sob apuração pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Foram constatadas irregularidades no processo licitatório, incluindo contratos assinados sem licitação e modificações feitas após a assinatura. Em uma situação específica, um contrato foi assinado em nome de outra empresa sem justificativa adequada.
Quebra de sigilo e interceptações
Com autorização judicial, a PF realizou escuta telefônica entre os investigados: Vanessa Araújo Nascimento, Gutemberg da Silva Araújo, Alisson Silva Carqueija, André Luiz Borges da Costa, José André Santos Rodrigues e Cláudio dos Santos Reis.
Ademais, o sigilo bancário de Vanessa, Gutemberg e da empresa foi rompido, revelando transações suspeitas. A servidora da PRF Adriana Tavares Brito foi identificada como parte do esquema e apresentou movimentações financeiras duvidosas associadas à Multi Service Localização, também chamada Guto Guincho / Pátio São Paulo.
A PF ainda possui cheques e registros financeiros ligados a André Borges e Alisson Carqueija.



