Conflitos agrários no sul da Bahia: seis indígenas mortos e segurança reforçada com permanência da Força Nacional

A disputa por terras entre comunidades indígenas e produtores rurais no extremo sul da Bahia já deixou seis indígenas mortos nos últimos três anos, segundo dados divulgados pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Os conflitos, que se intensificaram desde 2022 com o avanço das discussões sobre o Marco Temporal, continuam a gerar tensão na região. Em meio ao agravamento da situação, o Ministério da Justiça e Segurança Pública prorrogou por mais 90 dias a atuação da Força Nacional na área, com permanência autorizada até o dia 20 de outubro.
A decisão foi publicada na última terça-feira (22) pelo ministro Ricardo Lewandowski, garantindo a continuidade do apoio federal. A Força Nacional atua na tentativa de conter os episódios de violência, que incluem ameaças, confrontos e relatos de milícias armadas. Representantes da Funai relataram que servidores do órgão já foram ameaçados, e que há temor generalizado entre as equipes que atuam no território. Atualmente, segundo a fundação, cerca de 80 propriedades estão ocupadas por indígenas, o que motivou a criação do movimento Invasão Zero, que nega envolvimento com ações violentas.
De ambos os lados, há denúncias de agressões e violações de direitos. Lideranças indígenas relatam ataques noturnos e traumas causados às comunidades, especialmente entre crianças. Já produtores rurais alegam terem sido expulsos à força de suas propriedades e apontam episódios de violência física. O Ministério dos Povos Indígenas defende a busca por soluções jurídicas e administrativas que levem em conta os direitos originários e a correção de falhas históricas na titulação de terras.
Desde o fim de abril, com o reforço da Força Nacional, operações têm sido realizadas em pontos estratégicos da região. Em uma das ações, o cacique Suruí Pataxó foi preso por porte ilegal de armas, o que gerou protestos e bloqueios em trechos da BR-101. A Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme) repudiou a prisão e afirmou que o líder sofre ameaças constantes e atua na defesa dos direitos humanos. Em outro episódio, cinco homens armados foram presos e, horas depois, liberados após pressão de um grupo de manifestantes.
A violência na região voltou a ganhar destaque nesta quarta-feira (23), com a “Operação Vértice Zero”, que resultou na morte de cinco suspeitos e na prisão de seis pessoas em Caraíva, distrito de Porto Seguro. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, os alvos estavam ligados a crimes como tráfico de drogas, homicídios e ocupações irregulares. Ainda neste mês, quatro homicídios foram registrados em áreas de conflito. Em um dos casos, duas vítimas foram encontradas decapitadas na Aldeia Boca da Mata, com sinais de extrema violência. As investigações seguem em andamento, sem prisões confirmadas até o momento.
Com informações do G1 Bahia/ Foto: Divulgação SSP



