MP-BA e Afoxé Filhos de Gandhy firmam acordo para eliminar cláusula discriminatória

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a tradicional Associação Afoxé Filhos de Gandhy, exigindo a exclusão de uma cláusula considerada discriminatória no estatuto do grupo. O acordo prevê a retirada da regra que restringia a participação no bloco apenas a homens cisgêneros, ou seja, aqueles que se identificam com o gênero atribuído no nascimento.
A medida foi tomada após denúncias de casos em que homens trans foram impedidos de integrar o bloco durante os desfiles de Carnaval, com base na antiga norma estatutária. Com a alteração, a participação passa a ser aberta a todos os homens, independentemente da identidade de gênero, ampliando a inclusão no tradicional afoxé.
No documento firmado, a associação também se comprometeu a divulgar um comunicado oficial em seu site e nas redes sociais, reconhecendo publicamente que homens trans são bem-vindos entre os Filhos de Gandhy. A iniciativa representa um avanço na luta por direitos e inclusão no Carnaval de Salvador.
Como forma de reparação social, o bloco terá que repassar R$ 10 mil ao Coletivo Mães da Resistência, que apoia familiares de vítimas de violência LGBTI+, além de confeccionar até 400 camisas para o Instituto Brasileiro de Transmasculinidades (Ibrat), que promove ações em prol de homens trans.
Com mais de 70 anos de história, o Afoxé Filhos de Gandhy conta com cerca de quatro mil associados. Conhecido por suas homenagens a personalidades baianas e pela forte presença nos circuitos do Carnaval de Salvador, o bloco já teve como destaques Caetano Veloso, Gilberto Gil, Humberto Carrão, Evaldo Macarrão e Paulo Lessa.
Com informações do G1 Bahia



