Política

Valvir Vieira desacata juiz e expõe desprezo do grupo político pelo Judiciário

Na noite desta terça-feira (27), um áudio de teor ofensivo começou a circular em diversos grupos de WhatsApp em Eunápolis, trazendo declarações do empresário Valvir Vieira, prestador de serviços para a Prefeitura local. No conteúdo, ele profere ataques diretos a um juiz federal, em tom de desacato e desrespeito à autoridade judicial. O juíz em questão seria Pablo Baldivieso, responsável pela comarca da Justiça Federal de Eunápolis.

Valvir Vieira é apontado como responsável pela operação “tapa-buracos”, realizada pela empresa Queiroz Construtora, formalmente registrada em nome de Caique Queiroz. Entretanto, segundo relatos de funcionários, a empresa seria, de fato, controlada por Valvir, considerado um dos principais aliados políticos do prefeito Robério Oliveira.

O áudio foi disparado logo após uma decisão da Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), que concedeu liminar em uma Ação de Correição Parcial. A medida suspendeu, temporariamente, a execução da pena de perda dos direitos políticos de Robério Oliveira, condenado por improbidade administrativa. O processo diz respeito ao desvio de combustível da Prefeitura para abastecimento de trios elétricos da empresa Axé e Cia, de propriedade da deputada estadual Cláudia Oliveira, esposa do prefeito, e da filha do casal, Larissa Oliveira.

No áudio, Valvir se dirige a um advogado da cidade nos seguintes termos: “Doutor Nilo, doutor Nilo, o senhor é técnico! Vamos lá perturbar os laranjas? Vamos perturbar os laranjas? O juizinho aqui da primeira instância federal vai ter que corrigir a decisãozinha dele. Vagabundo, descarado, manipulado…”

A manifestação do empresário evidencia o profundo desrespeito do grupo político vinculado ao prefeito Robério Oliveira em relação às instituições e aos membros do Poder Judiciário. As ofensas são direcionadas pessoalmente ao magistrado, no claro intuito de descredibilizá-lo, especialmente em razão do exercício de sua função pública.

Diante da gravidade do caso, cresce o questionamento: se um juiz federal é alvo desse tipo de afronta pública, o que esperar do tratamento dispensado aos cidadãos mais simples, que dependem dos serviços públicos municipais?

O caso deve gerar desdobramentos tanto na esfera criminal, pelos possíveis crimes de desacato e injúria, quanto na esfera política, pelas implicações no já abalado cenário da gestão municipal.

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