“Festa milionária, cidade abandonada: a conta amarga do Pedrão”

A tão propagada ideia de que o Pedrão movimenta a economia de Eunápolis não resiste aos números oficiais. Em 2025, foram investidos quase R$ 10 milhões em cachês de artistas de fora da cidade. Quase todo esse dinheiro deixou Eunápolis no mesmo dia em que os shows terminaram.
Apesar do discurso de que “o comércio é beneficiado”, a receita municipal não registrou qualquer crescimento no mês da festa. Pelo contrário: os dados da arrecadação mostram que junho, mês do Pedrão, manteve-se no mesmo patamar dos demais meses do ano.
Receita municipal em 2025:
Janeiro: R$ 48,7 milhões
Fevereiro: R$ 55,6 milhões
Março: R$ 43,9 milhões
Abril: R$ 47,6 milhões
Maio: R$ 55,6 milhões
Junho (Pedrão): R$ 49,4 milhões
Julho: R$ 52,5 milhões
Em sete meses, Eunápolis arrecadou R$ 353,5 milhões. O grande evento do calendário municipal, no entanto, não provocou nenhum salto significativo de receita.
Problemas estruturais permanecem
Enquanto milhões foram destinados a uma semana de shows, Eunápolis segue enfrentando os mesmos problemas de sempre:
Hospital Regional em colapso;
Educação entre as piores da Bahia;
Uma das cidades mais violentas do estado;
Ruas escuras e abandonadas.
O contraste entre os altos gastos e a precariedade dos serviços essenciais levanta a questão: até que ponto o investimento em grandes festas, promovidas como “culturais”, representa de fato um benefício coletivo?
O Pedrão se consolidou como vitrine política e turística, mas os números revelam que a festa não gera impacto econômico duradouro. O resultado é uma fachada de desenvolvimento, enquanto saúde, educação e segurança continuam sem prioridade.
A pergunta que fica é: vale a pena continuar destinando milhões a shows que enriquecem artistas de fora e deixam Eunápolis com os mesmos problemas de sempre?



