Negligência no parto leva à morte de recém-nascida em hospital de Eunápolis: mãe denuncia abandono e cobra mudanças

EUNÁPOLIS (BA) – Um caso comovente e revoltante de suposta negligência médica chocou a população de Eunápolis. Em vídeo publicado nas redes sociais, a jovem Emily, de 21 anos, denuncia as falhas no atendimento prestado pelo Hospital Regional de Eunápolis, que resultaram na morte de sua filha recém-nascida, Cecília. O parto, marcado por desorganização, omissão e demora no socorro, escancara a fragilidade da rede pública de saúde no município.
O parto ocorreu no dia 12 de abril de 2025. Emily relata que, apesar de sua gravidez ter sido classificada como de alto risco desde fevereiro, devido à hipertensão, o acompanhamento pré-natal foi negligente e desorganizado. Mesmo após relatar episódios de pressão elevada e ausência de movimentos fetais, não recebeu o atendimento emergencial adequado.
“Cheguei ao hospital com sangramento intenso e fui impedida de entrar pela entrada principal. A obstetra plantonista sequer estava presente, mesmo sendo o horário de troca de turno. Sangrei no chão da recepção, desesperada, enquanto ninguém me atendia”, disse a jovem emocionada.
Emily conta que somente após o apelo de uma funcionária que acabava de chegar ao plantão, foi levada para o pré-parto. O diagnóstico foi descolamento de placenta. Encaminhada para cesariana de emergência, Cecília nasceu com 4,4 kg e 57 cm, mas não resistiu às complicações decorrentes da hipóxia e hemorragia pulmonar, falecendo poucas horas depois.
O caso levanta questionamentos graves sobre a conduta do hospital. Por que uma paciente de alto risco não teve prioridade no atendimento? Como é possível que a obstetra plantonista se ausente minutos antes do fim do turno, ignorando emergências? E onde estava a equipe de enfermagem diante de um sangramento evidente?
“Se Deus não tivesse usado aquela enfermeira para vir até mim, será que eu ainda estaria aqui?”, questiona Emily, reforçando a sensação de desamparo total.
A denúncia ganha contornos ainda mais alarmantes ao revelar que situações semelhantes vêm ocorrendo com outras gestantes da cidade. A jovem afirma que não pretende silenciar: “Se a gente não falar, isso vai continuar acontecendo. Até quando mães vão perder seus filhos por negligência de um sistema que deveria cuidar da vida?”
A dor de Emily não é um caso isolado. É reflexo de uma gestão de saúde pública falha, onde a precarização do serviço e a omissão de profissionais custam vidas. A jovem pede que o vídeo chegue ao conhecimento do prefeito de Eunápolis e do governador da Bahia. Ela clama por providências e mudanças urgentes, para que outras mães não passem pela mesma tragédia.
Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde e a direção do Hospital Regional não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.



